Do hemocentro à Hemobrás: por que o congelamento é estratégico para o futuro da hemoterapia brasileira?

Quando falamos em hemoterapia, é comum pensarmos na doação de sangue, nos testes de imuno-hematologia ou na transfusão de hemocomponentes. No entanto, existe uma etapa fundamental que muitas vezes passa despercebida, mas que tem impacto direto na qualidade dos produtos sanguíneos e até mesmo na produção nacional de medicamentos: o congelamento.

Mais do que uma simples etapa de armazenamento, o controle rigoroso da temperatura é essencial para preservar componentes biológicos de alto valor, especialmente o plasma humano, que pode ser utilizado tanto para fins transfusionais quanto para a produção de hemoderivados.

Nesse contexto, os sistemas de congelamento rápido vêm assumindo um papel cada vez mais estratégico para os serviços de hemoterapia brasileiros.

O plasma: um recurso estratégico para o sistema de saúde

O plasma corresponde à fração líquida do sangue e contém centenas de proteínas biologicamente ativas. Além de sua utilização direta em transfusões, ele representa a principal matéria-prima para a produção de diversos medicamentos essenciais.

Entre os hemoderivados obtidos a partir do plasma estão:

  • Albumina humana;
  • Imunoglobulinas;
  • Fator VIII;
  • Fator IX;
  • Complexo protrombínico;
  • Fator de Von Willebrand.

Esses produtos são utilizados diariamente no tratamento de pacientes com hemofilia, imunodeficiências, doenças autoimunes, queimaduras graves e diversas outras condições clínicas. Por esse motivo, cada bolsa de plasma coletada possui um valor estratégico para o sistema de saúde.

O papel da Hemobrás e a busca pela autossuficiência nacional

Nos últimos anos, o Brasil vem investindo significativamente na ampliação da capacidade de processamento e armazenamento de plasma. Esse movimento está diretamente relacionado ao fortalecimento da Hemobrás (Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia), vinculada ao Ministério da Saúde, cuja missão é ampliar a produção nacional de medicamentos derivados do plasma humano e reduzir a dependência de importações.

A expansão da infraestrutura para armazenamento e preservação do plasma é um dos pilares dessa estratégia. Quanto maior o aproveitamento do plasma coletado pelos hemocentros brasileiros, maior a disponibilidade de matéria-prima para a produção de medicamentos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Nesse cenário, tecnologias de congelamento rápido tornam-se elementos fundamentais para garantir a qualidade do material armazenado e sua utilização futura no processo industrial.

Congelar rápido não é apenas uma questão operacional

Quando o plasma é destinado à transfusão ou ao fracionamento industrial para produção de hemoderivados, a velocidade de congelamento torna-se um fator crítico de qualidade.O congelamento lento pode favorecer alterações físico-químicas e comprometer a preservação adequada de proteínas plasmáticas sensíveis, especialmente fatores de coagulação.

Por esse motivo, normas nacionais e internacionais estabelecem requisitos rigorosos para o processamento e armazenamento do plasma destinado à utilização terapêutica. O objetivo é preservar ao máximo a atividade biológica dessas proteínas, garantindo que o produto mantenha sua qualidade até o momento da utilização.

O que é a tecnologia Contact Shock Freezing?

Entre as tecnologias mais modernas disponíveis atualmente para bancos de sangue e serviços de hemoterapia está o chamado Contact Shock Freezing (CSF), ou congelamento rápido por contato.

Diferentemente dos métodos convencionais, nos quais a transferência de frio ocorre principalmente pela circulação de ar refrigerado, os sistemas de Contact Shock Freezing utilizam contato direto entre as bolsas de plasma e superfícies refrigeradas.

Essa característica aumenta significativamente a eficiência da troca térmica, permitindo que o plasma atinja temperaturas adequadas em um intervalo muito menor de tempo. Na prática, isso significa congelamento mais rápido, maior padronização do processo e melhor preservação da qualidade do plasma.

Tecnologia desenvolvida para a rotina dos bancos de sangue

Com mais de 40 anos de experiência em refrigeração médica e mais de 15 anos dedicados ao desenvolvimento de tecnologias de congelamento rápido por contato, a B Medical Systems desenvolveu uma linha específica de equipamentos voltados para bancos de sangue e hemocentros.

Os equipamentos Plasma Contact Shock Freezer foram projetados especificamente para congelamento rápido de plasma em conformidade com padrões internacionais de qualidade.

Classificados como dispositivos médicos Classe IIa e compatíveis com os padrões da AABB (Association for the Advancement of Blood & Biotherapies), esses sistemas utilizam uma tecnologia exclusiva desenvolvida para atender às necessidades da hemoterapia moderna.

Entre seus diferenciais está a elevada capacidade de congelamento. O maior modelo da linha é capaz de reduzir a temperatura central de até 48 bolsas de plasma de 350 mL para menos de -30°C em menos de 30 minutos, o menor tempo de congelamento atualmente disponível no mercado.

Essa performance contribui para a preservação da qualidade do plasma, otimização dos fluxos operacionais e maior aproveitamento do material destinado tanto à transfusão quanto à produção de hemoderivados.

Segurança, rastreabilidade e confiabilidade

Além da capacidade de congelamento rápido, os modernos sistemas de congelamento incorporam recursos voltados à segurança operacional e ao controle de qualidade.

Entre eles destacam-se:

  • Monitoramento contínuo de temperatura;
  • Sistemas de alarme visual e sonoro;
  • Registro eletrônico de dados;
  • Controle de acesso;
  • Recuperação rápida da temperatura após abertura da porta;
  • Rastreabilidade das condições de armazenamento;
  • Maior segurança para auditorias e processos regulatórios.

Esses recursos são particularmente importantes em ambientes altamente regulados, como bancos de sangue, hemocentros e centros de processamento de plasma.

Uma tecnologia já presente em serviços de referência

A adoção de tecnologias de congelamento rápido de plasma vem crescendo em serviços de referência da hemoterapia nacional, reforçando sua relevância para a cadeia do sangue e para a produção de hemoderivados.

Novos processos de qualificação e validação desses equipamentos vêm sendo realizados em hemocentros da Hemorrede brasileira. Entre os serviços envolvidos nesse processo destacam-se instituições de referência, como a Fundação Pró-Sangue e o Hemocentro da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), contribuindo para a avaliação do desempenho dessas tecnologias na rotina operacional dos bancos de sangue.

Em um cenário de expansão da produção nacional de hemoderivados e fortalecimento da Hemobrás, investimentos em infraestrutura de congelamento e armazenamento passam a ser tão estratégicos quanto a própria coleta de sangue. Garantir a preservação adequada do plasma significa maximizar o aproveitamento de uma matéria-prima essencial para a produção de medicamentos que atendem milhares de pacientes em todo o país.

 

O futuro da cadeia do frio na hemoterapia

À medida que avançam áreas como hemoterapia especializada, medicina transfusional, terapia celular, biobancos e produção de medicamentos biológicos, cresce também a necessidade de soluções cada vez mais robustas para armazenamento em temperaturas ultrabaixas.

O congelamento deixa de ser apenas um requisito operacional para se tornar uma ferramenta estratégica de qualidade, segurança e sustentabilidade dos sistemas de saúde.

Afinal, antes que o plasma se transforme em um medicamento capaz de salvar vidas, existe uma cadeia complexa de processamento, armazenamento e preservação que precisa funcionar com excelência.

Tecnologia para apoiar essa evolução

Acompanhando essa evolução da hemoterapia brasileira, a Martell passa a disponibilizar ao mercado nacional a linha de soluções para congelamento da B Medical Systems.

Desenvolvidos especificamente para aplicações em bancos de sangue, hemocentros e centros de processamento de plasma, esses equipamentos combinam desempenho, segurança e rastreabilidade, contribuindo para a preservação adequada de um dos recursos biológicos mais valiosos da medicina moderna: o plasma humano.

Nossa equipe especializada pode ajudá-lo a avaliar as melhores alternativas para armazenamento e processamento de plasma, sempre com foco em qualidade, segurança e conformidade regulatória. Entre em contato e converse com nossos especialistas.

 

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás).

HEMOBRÁS. Sistemas de monitoramento do congelamento do plasma geram resultados positivos.

HEMOBRÁS. Instalação de blast freezers para ampliação da capacidade de armazenamento e processamento de plasma.

AABB. Standards for Blood Banks and Transfusion Services.

Council of Europe. Guide to the Preparation, Use and Quality Assurance of Blood Components.

B Medical Systems. Plasma Contact Shock Freezer – Technical Documentation.

B Medical Systems. Medical Refrigeration Solutions for Blood Banks and Transfusion Centers.