Como garantir a qualidade das plaquetas durante o armazenamento

As plaquetas são componentes vitais no tratamento de distúrbios hemorrágicos e em pacientes submetidos a quimioterapia, transplantes ou grandes cirurgias. No entanto, sua preservação é um dos maiores desafios da hemoterapia moderna, já que possuem vida útil curta e são extremamente sensíveis às condições de armazenamento.

Garantir a qualidade das plaquetas é garantir segurança transfusional, e isso depende de controle rigoroso de temperatura, ventilação e agitação contínua — além do uso de equipamentos certificados e monitoramento constante.

Condições ideais de armazenamento de plaquetas

De acordo com o Manual Técnico de Hemoterapia do Ministério da Saúde e as normas da AABB, as plaquetas devem ser armazenadas entre 20°C e 24°C, sob agitação contínua.

Essa movimentação constante evita que as plaquetas se agreguem e percam viabilidade metabólica, garantindo melhor oxigenação e manutenção do pH. A ausência de agitação adequada pode causar formação de microagregados e redução da função plaquetária, comprometendo a eficácia transfusional.

Além da temperatura e da movimentação, outros fatores críticos incluem:

  • Ventilação adequada no interior do agitador;
  • Ambiente livre de vibrações e variações térmicas;
  • Monitoramento regular da temperatura interna e registro dos dados;
  • Utilização de bolsas de plaquetas com permeabilidade gasosa adequada.

Tempo máximo de armazenamento e a nova Nota Técnica do Ministério da Saúde

Tradicionalmente, a validade dos concentrados de plaquetas era de 5 dias, conforme as normas clássicas da ANVISA e da AABB.
No entanto, o Ministério da Saúde, por meio de uma Nota Técnica, autorizou a ampliação do prazo de validade das plaquetas para até 7 dias, desde que sejam atendidos critérios técnicos rigorosos.

Essa nota técnica pode ser aplicada, mas somente se o serviço utilizar uma das estratégias previstas:

  • Inativação de patógenos
  • Testagem bacteriana avançada, como:
    • LVDS (Large Volume Delayed Sampling)
    • Estratégia em duas etapas (cultura primária + teste rápido ou cultura secundária).

Requisitos importantes

  • Procedimentos operacionais padronizados documentados.
  • Rastreabilidade e controle rigoroso de estoques.
  • Uso de bolsas de plaquetas compatíveis com 7 dias e registradas na ANVISA.
  • Rótulo da bolsa deve indicar validade estendida e estratégia usada.

Impacto esperado: menos descarte por vencimento; mais tempo para utilizar as plaquetas, especialmente em regiões distantes; Possibilidade de melhorar o acesso a transfusões com segurança.

É uma medida que pode melhorar muito a disponibilidade de plaquetas no país, mas exige tecnologia, validação e protocolos bem implementados. Então não é para todo serviço de imediato, mas com certeza é um passo importante na segurança e eficiência da hemoterapia no Brasil

Boas práticas de transporte e conservação

Durante o transporte, as plaquetas devem ser mantidas à temperatura ambiente controlada (20–24°C), em embalagens que preservem a ventilação e evitem aquecimento excessivo.

A utilização de sistemas de transporte com ventilação ativa e monitoramento contínuo de temperatura é essencial para que o produto mantenha suas características até a transfusão.

Após o transporte, as bolsas devem ser imediatamente reinstaladas em agitadores apropriados, evitando interrupções prolongadas na agitação, que comprometem a função plaquetária.

Agitadores de plaquetas Martell: estabilidade e confiança

A Martell oferece equipamentos de excelência para garantir o armazenamento seguro de plaquetas, como os Agitadores de Plaquetas Presvac AP-48L e AP-96L, projetados para oferecer:

  • Agitação uniforme e contínua a 60 ciclos por minuto;
  • Controle preciso de temperatura ambiente;
  • Ventilação forçada, assegurando oxigenação ideal das bolsas;
  • Compatibilidade com câmaras climatizadas, conforme exigências da AABB e da Nota Técnica nº 52/2023;
  • Capacidade para 48 ou 96 bolsas, conforme a necessidade do serviço de hemoterapia.

Esses equipamentos são amplamente utilizados em hemocentros e hospitais do Brasil, garantindo padronização, durabilidade e rastreabilidade dos parâmetros críticos de conservação.

Ao associar tecnologia confiável a boas práticas operacionais, o banco de sangue assegura maior eficiência transfusional e menor descarte de hemocomponentes.

A preservação da qualidade das plaquetas exige rigor técnico e comprometimento contínuo com as boas práticas de armazenamento. Temperatura controlada, ventilação adequada, agitação constante e o cumprimento das exigências da Nota Técnica nº 52/2023 são os pilares para garantir a eficácia clínica e a segurança transfusional.

Com os Agitadores de Plaquetas Martell Presvac AP-48L e AP-96L, o laboratório tem a confiança de trabalhar com equipamentos projetados segundo os mais altos padrões internacionais, porque qualidade em hemoterapia começa com tecnologia de precisão.

Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 52/2023-CGSH/DAET/SAES/MS – Ampliação do prazo de validade dos concentrados de plaquetas para até 7 dias.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Manual Técnico de Hemoterapia. 5ª ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2015.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria de Consolidação nº 5, de 28 de setembro de 2017. Anexo IV – Do Sangue, Componentes e Hemoderivados.
  4. AABB Technical Manual, 21ª edição. Bethesda, MD: American Association of Blood Banks, 2023.
  5. ANVISA. RDC nº 34/2014 — Boas Práticas no Ciclo do Sangue.